Essa história de sinalizar conteúdo
Na semana passada, me perguntaram por que a gente se dá ao trabalho de usar rótulos. “É só deixar as pessoas jogarem.” E, sinceramente? É um ponto de vista razoável.
Mas tem um motivo pelo qual eu não consigo pensar assim.
Uma pessoa que conheço trabalha com voz há mais de uma década. No ano passado, ela descobriu que algumas gravações antigas dela foram coletadas para um conjunto de dados de treinamento. Nenhum e-mail. Nenhum aviso por cortesia. Nada. Ela descobriu às duas da manhã, rolando o Twitter compulsivamente e vendo clipes com a voz “dela” dizendo coisas que nunca chegou a gravar.
Ela levou semanas para superar isso.
É por isso que a sinalização importa para mim.
Nossa posição, de fato
Não rejeitamos jogos só porque usaram ferramentas de IA. E também não damos destaque a jogos apenas porque não usaram. Como você criou seu projeto? Isso é entre você e seu ambiente de desenvolvimento.
O que importa para nós é a honestidade.
Usou IA? É só dizer. Os jogadores podem usar esse filtro se quiserem — alguns evitam totalmente jogos com IA, outros procuram especificamente por eles, e a maioria provavelmente nem vai usar o filtro. Não importa muito em qual grupo você está. A opção precisa existir.
O que conta
Arte — sprites, texturas, cenários, personagens. Se um modelo fez a maior parte do trabalho, sinalize.
Áudio — música, efeitos, vozes. Conversão de texto em fala também entra aqui.
Texto — diálogos, história, descrições de itens. Basicamente, qualquer coisa que os jogadores realmente leiam.
Código — sistemas procedurais ou lógica provenientes de ferramentas de aprendizado de máquina.
Fases — mapas ou ambientes gerados por IA.
A IA ajudou na prototipagem, mas a versão final usa recursos feitos por pessoas? Tudo bem. O que consideramos é o que está na versão final.
Por que esse assunto não para de voltar
O número de jogos na Steam com avisos sobre uso de IA cresceu 700% neste ano — já são cerca de 8 mil títulos. Não dá para ignorar números assim.
Os desenvolvedores estão bem divididos sobre o assunto. Quase metade acredita que a IA está prejudicando ativamente os jogos como forma de expressão. Mas aí vem a parte estranha: jogos que informaram o uso de IA ainda movimentaram US$ 660 milhões na Steam. As pessoas compram esses jogos. Elas só querem saber o que estão comprando antes.
E ainda tem o caso do trailer de Fatal Fury. Atores de voz descobrindo versões clonadas de si mesmos nas remasterizações de Tomb Raider. Expedition 33 sendo retirado do Indie Game Awards por causa de recursos provisórios.
Isso continua acontecendo. As pessoas se cansaram das surpresas.
O que não vamos pedir
Não vamos auditar seu processo. Não precisamos ver seus prompts nem saber quais modelos você usou. Seu fluxo de trabalho é seu.
A sinalização só precisa corresponder ao que realmente está no jogo. Caso contrário, todo o sistema de filtros acaba perdendo o sentido.
Lugares diferentes, regras diferentes
A Steam agora exige que o uso de IA seja informado. A Games Workshop optou por proibir totalmente a IA em conteúdos de Warhammer. O Indie Game Awards escolheu um meio-termo.
E nós? Sinalize com honestidade. Deixe os jogadores decidirem por conta própria.
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